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Covid-19 causa 1,7 mil mortes no Brasil em 2025 por negligência vacinal

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Frasco de vacina contra Covid-19 abandonado em posto de saúde brasileiro, simbolizando negligência vacinal e mortes em 2025.

Covid-19 persiste no Brasil com 1,7 mil mortes em 2025

Após cinco anos desde o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, a doença ainda causa estragos significativos, com 1,7 mil mortes registradas em 2025. O Ministério da Saúde e a Fiocruz alertam para a baixa cobertura vacinal, que deixou apenas 8 milhões de doses aplicadas de um total de 21,9 milhões disponíveis no ano passado. Essa negligência resultou em 10.410 casos graves confirmados, expondo a vulnerabilidade da população, especialmente crianças, idosos e gestantes.

Baixa percepção de risco e influência de fake news

A redução nos casos graves pós-pandemia diminuiu a percepção de risco entre os brasileiros, abrindo espaço para o antivacinismo e fake news. Especialistas da Fiocruz, como Leonardo Bastos e Tatiana Portella, criticam a normalização de números ainda absurdos de óbitos. A Sociedade Brasileira de Imunizações, representada por Isabela Ballalai, aponta que o sucesso inicial da vacinação em adultos não se repetiu em crianças, justamente quando o medo da doença arrefeceu.

“A covid não foi embora. De tempos em tempos a gente tem surtos e avalia constantemente se esses surtos crescem, se eles podem se transformar em uma epidemia. O que a gente vê hoje de número de casos e mortes ainda é algo absurdo. Mas, como a gente passou por um período surreal na pandemia, o que seria considerado alto, acaba sendo normalizado”, afirma Leonardo Bastos, da Fiocruz.

Riscos de novas variantes e apelo à vacinação

A possibilidade de novas variantes mais transmissíveis preocupa os experts, que enfatizam a necessidade de manter a vacinação em dia para evitar ondas epidêmicas. Em 2025, o Brasil enfrentou surtos que poderiam ter sido mitigados com maior adesão às doses. Ballalai critica interesses políticos e financeiros que minam a confiança nas vacinas, mesmo entre profissionais de saúde outrora defensores da imunização.

“A gente pode ter uma nova onda a qualquer momento com o surgimento de uma nova variante, que pode ser mais transmissível, infecciosa, e não tem como prever quando que vai surgir essa nova variante. Por isso que é importante que a população sempre esteja em dia com a vacinação”, alerta Tatiana Portella, da Fiocruz.

Desafios éticos e científicos na luta contra o antivacinismo

A influência de médicos renomados que agora questionam vacinas específicas agrava o problema, priorizando interesses pessoais sobre evidências científicas. Ballalai defende que os proponentes da vacinação possuem dados robustos para respaldar suas recomendações, contrastando com a desinformação propagada. Em 2026, com a Covid-19 ainda latente, urge uma ação coletiva para elevar a cobertura vacinal e proteger os mais vulneráveis.

“O ser humano é movido pela percepção de risco. O Brasil foi um dos primeiros países que atingiram uma cobertura maior de 80% para toda a população adulta. Mas quando a vacina chegou para as crianças, o cenário era outro, com menos casos, menos mortes e a percepção de risco tinha diminuído. Aí o antivacinismo começa a fazer efeito. Porque as fake news contra a vacina só dão certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, explica Isabela Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações.

“Infelizmente nós temos médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora dizendo que nem todas as vacinas. Por trás disso há muitos interesses, políticos, financeiros, de vários tipos. E entre um médico que você já conhece e alguém que você ainda não conhece, em quem você vai confiar? Mas nós que defendemos as vacinas temos todas as evidências científicas pra provar o que a gente diz”, complementa Isabela Ballalai.

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