Estudantes do Centro de Ensino Médio Paulo Freire, localizado na Asa Norte, no Distrito Federal, relatam que suas candidaturas por cotas no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) foram indeferidas devido a um erro da direção da instituição. A escola não encaminhou os documentos necessários para comprovar a conclusão do ensino médio na rede pública, requisito essencial para concorrer às vagas reservadas. Como resultado, vários alunos foram excluídos da lista de cotas e obrigados a disputar pela ampla concorrência, o que dificulta suas chances de ingresso na universidade.
Um aluno de 17 anos descreveu o momento em que descobriu o problema ao consultar o site do Cebraspe, organizador do processo seletivo. Ele percebeu que seu nome não constava na relação de aprovados nas cotas para escolas públicas, com o indeferimento justificado pela ausência de comprovação de estudos em rede pública nos primeiros anos do ensino médio. Outra aluna expressou frustração, destacando que o indeferimento afeta não apenas sua candidatura por cotas de escola pública, mas também por baixa renda, ameaçando um sonho de anos de dedicação ao processo seletivo.
A diretora da escola, Roberta Talyuili, pediu desculpas pelo equívoco e afirmou que as ações seguiam orientações da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), mas que a emissão de declarações só foi disponibilizada recentemente no sistema. Ela mencionou que poucos alunos procuraram retificação, apesar da disponibilidade. A SEEDF informou que a documentação de todos os inscritos no PAS foi retificada, e o sistema opera normalmente, sem relatos semelhantes de outras escolas. O Cebraspe reforçou que a responsabilidade pelo envio de documentos é do candidato, com resultados finais previstos para dezembro.
Os estudantes, no entanto, criticam a resposta tardia da escola, como uma mensagem da vice-diretora Aline Maia em grupo de WhatsApp solicitando comparecimento para declarações, medida considerada ineficaz após o prazo de recursos. Alguns cogitam ações judiciais para reverter a situação, que prolonga a ansiedade em um processo já competitivo.