Início Distrito Federal Casa icônica de Brasília definha abandonada por embaixada estrangeira
Distrito Federal

Casa icônica de Brasília definha abandonada por embaixada estrangeira

134

Projetada em 1961 pelo arquiteto João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé, a Residência César Prates foi a primeira construção residencial do profissional na capital federal, encomendada por César Prates, amigo e assessor do ex-presidente Juscelino Kubitschek. A casa incorpora elementos característicos da arquitetura moderna brasileira, como sheds para iluminação e ventilação natural, integração entre espaços internos e externos, e uso de materiais aparentes como pedra bruta, madeira e concreto. No entanto, o imóvel, atualmente de propriedade de uma embaixada estrangeira, encontra-se em estado de abandono, com jardins tomados por mato, ferrugem, rachaduras e pichações, o que tem gerado preocupações sobre a preservação do patrimônio cultural de Brasília.

O arquiteto e urbanista Adalberto Vilela, professor da Universidade de Brasília e autor de um estudo sobre a residência, destaca que o projeto reflete o início da trajetória de Lelé, com ênfase em materiais naturais e espacialidade fluida, incluindo painéis treliçados de madeira e um inovador sistema de umidificação por gotejamento em paredes de pedra para combater o clima seco local. Adriana Filgueiras Lima, filha de Lelé e também arquiteta, expressa tristeza com a deterioração e teme que a embaixada pretenda demolir a casa para erguer outra estrutura. Ela se dispõe a participar de uma restauração para manter as características originais, considerando o imóvel um marco valioso.

Vizinhos relatam transtornos diários decorrentes do abandono, como insegurança, acúmulo de água parada que atrai mosquitos da dengue, presença de ratos e baratas, além de invasões por moradores de rua. A servidora pública Andrea Pires Figueiredo menciona episódios de roubo de itens da casa, enquanto a advogada Ana Cristina Santana aponta riscos à saúde, com familiares afetados por doenças. A médica Simone Corrêa e o advogado Hélio Figueiredo Júnior criticam a falta de providências da embaixada, vendo o caso como desrespeito ao patrimônio cultural brasileiro e pedindo intervenção para restauração ou venda.

A embaixada, ao ser contatada, informou ter recebido esclarecimentos do Itamaraty, mas não forneceu detalhes sobre o futuro do imóvel. Órgãos como a Secretaria de Saúde e a Defesa Civil do Distrito Federal afirmam não ter autorização para ingressar no local sem permissão do país proprietário, destacando limitações diplomáticas na resolução do problema.

Conteúdos relacionados

Obras hidráulicas em construção no DF com reservatório de água baixo, destacando escassez hídrica persistente.
Distrito FederalItapoãPolítica

Celina Leão inspeciona obras de água no DF, mas escassez hídrica ainda assombra

Em uma visita realizada nesta quinta-feira, 16/04/2026, à região norte do Distrito...

Mesa com ordens de serviço do programa GDF na Sua Porta no Paranoá, Distrito Federal.
Distrito FederalPolítica

Governadora Celina Leão assina 30 ordens de serviço no Paranoá pelo GDF na Sua Porta

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, levou o programa GDF na...

Chácara isolada em Planaltina, DF, com fita de isolamento policial e viatura, simbolizando disputa e chacina familiar.
Distrito FederalSegurança

Suspeito de chacina familiar em Planaltina segue foragido por disputa de chácara no DF

Uma chacina familiar chocou a região do Núcleo Rural Rio Preto, em...

Unidade móvel do QualificaDF no Paranoá com banners de formatura, representando celebração de 580 alunos formados.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Governadora Celina Leão celebra formatura de 580 alunos no QualificaDF Móvel no Paranoá

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, participou na segunda-feira, 13 de...