O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5) que será o candidato da família à Presidência da República em 2026, seguindo orientação direta de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após uma visita de Flávio à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Jair cumpre pena de 27 anos por conspiração golpista. Em postagem nas redes sociais, Flávio enfatizou a responsabilidade de continuar o projeto bolsonarista, criticando o atual governo por instabilidade, insegurança e desânimo. Ele mencionou prioridades como o roubo de aposentados pelo governo, domínio de narcoterroristas em cidades, saques em estatais, aumento de impostos e falta de perspectivas para as crianças, citando Deus seis vezes no texto.
A escolha ocorre em meio à inelegibilidade de Jair Bolsonaro, determinada pela Justiça Eleitoral por abuso de poder. Flávio assumirá a coordenação de negociações para montagens de palanques estaduais em nome do bolsonarismo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que também era cotada, divergiu publicamente com Flávio sobre uma aliança no Ceará envolvendo Ciro Gomes (PSDB), mas sua posição prevaleceu. O deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, elogiou a pré-candidatura do irmão, enquanto Michelle postou uma mensagem de boa sorte. Ambos visitarão Jair na prisão na próxima terça-feira, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes.
No PL, o anúncio foi bem recebido, com o presidente Valdemar Costa Neto afirmando que “se Bolsonaro falou, está falado” e confirmando o apoio ao senador. No Centrão, a reação foi cautelosa, com Antônio Rueda, copresidente da federação União Brasil-Progressistas, defendendo um caminho de construção em vez de confronto. Para a base governista, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, a decisão fragiliza uma possível candidatura de Tarcísio de Freitas (REP) e fortalece as chances de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com apostas de que Tarcísio opte pela reeleição ao governo de São Paulo.
Jair Bolsonaro, da prisão, orienta Flávio a adotar uma postura combativa contra Lula, visando reavivar a polarização que o levou à Presidência em 2018.