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Hugo Motta sob fogo cruzado: desgaste na presidência da Câmara atinge pico inédito

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Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro, Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrenta seu período de maior desgaste, com críticas vindas tanto de governistas quanto de oposicionistas. Monitoramentos digitais, como a pesquisa da agência Ativaweb realizada em 9 e 10 de dezembro, revelam que 72,8% das menções a Motta nas redes sociais foram negativas, totalizando mais de 7 milhões de referências. O foco principal das críticas recai sobre a sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria, marcada por tumultos, uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas do plenário e interrupção do sinal da TV Câmara. De acordo com o levantamento, apenas uma em cada dez manifestações sobre o episódio não criticava o presidente da Casa.

O desgaste não se restringe ao episódio recente, mas acumula controvérsias ao longo do ano, como a condução da PEC da Blindagem, vista por alguns como uma medida para proteger parlamentares de investigações da Polícia Federal. A proposta foi criticada até pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e sepultada após manifestações em setembro. Motta também acionou judicialmente um sindicato na Paraíba por outdoors que o associavam à proteção de políticos criminosos. Além disso, sua relação com o Palácio do Planalto azedou desde junho, quando pautou um decreto para sustar o aumento do IOF, quebrando acordos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Rompimentos públicos, como com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), agravaram as tensões, com acusações mútuas de imaturidade e sabotagem.

Cientistas políticos, como Leonardo Paz Neves, da FGV, apontam que Motta carece de base sólida, equilibrando-se entre governo e oposição de forma errática, o que desagrada ambos os lados. Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco, do Iesp-Uerj, destaca o custo institucional para a Câmara, com perda de credibilidade devido à falta de acordos prévios. O cenário se complica com decisões pendentes sobre deputados como Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, dividindo a Casa em meio a pressões do STF. Protestos previstos para hoje, convocados por entidades de esquerda, miram Motta como patrocinador do PL da Dosimetria, que pode beneficiar condenados por tentativas de golpe, e pedem a devolução do Congresso ao povo. No Senado, o texto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), com o governo articulando sua rejeição ou veto integral por Lula.

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