Sheylla dos Reis Ribeiro, de 42 anos, diagnosticada com melanoma em 2020, tem travado uma batalha judicial para obter medicamentos essenciais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Após tratamentos iniciais ineficazes na rede pública, ela buscou atendimento privado, onde médicos recomendaram Nivolumabe e Ipilimumabe, imunoterapias com custo total de R$ 342 mil. Sem cobertura pelo SUS, Sheylla recorreu ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), mas as ações não prosperaram. Em desabafo, ela criticou o sistema, afirmando que os remédios disponíveis são ineficazes e que se sente maltratada pela doença e pela burocracia, especialmente porque paga impostos e vê outras pacientes morrerem à espera de tratamentos.
O Ministério da Saúde confirmou que o Nivolumabe foi incorporado ao SUS há mais de cinco anos, com base em decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), para tratar melanoma avançado não cirúrgico e metastático. A pasta destacou que a análise considerou evidências científicas de eficácia, segurança e custo-efetividade, e que está em processo administrativo para aquisição e distribuição. No entanto, o Ipilimumabe recebeu parecer desfavorável da Conitec, sem nova demanda para reavaliação. Sheylla lamentou a situação, enfatizando que o atraso afeta não só ela, mas várias pessoas, e cobrou mais atenção para a saúde dos pacientes, argumentando que há recursos disponíveis para equidade no acesso.
Roberto Gil, diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), explicou que as imunoterapias como Nivolumabe e Ipilimumabe são opções entre diversas, com cerca de 54 indicações, mas os altos preços representam barreiras. O Inca participa de avaliações com a Conitec, mas não conduz incorporações isoladas, priorizando protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para garantir equidade no SUS. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que Sheylla está sendo acompanhada, com consultas e exames regulares, incluindo uma agendada para esta semana. O caso reacende o debate sobre a atualização da lista de medicamentos no SUS e a necessidade de maior celeridade em processos administrativos para salvar vidas.