Início Distrito Federal Câmara do DF demora 35 anos para entregar primeira moção em braille
Distrito FederalOpiniãoPolítica

Câmara do DF demora 35 anos para entregar primeira moção em braille

225
Foto: Sara Marques/Agência CLDF
Foto: Sara Marques/Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na terça-feira, 27 de maio de 2026, uma sessão solene para homenagear a professora e ativista Lucinéia de Oliveira Santos, reconhecendo seus mais de 20 anos de luta pelos direitos das pessoas com deficiência visual. Apesar do gesto simbólico de entregar a primeira moção de louvor escrita em braille em 35 anos de história da Casa, o evento expõe a lentidão histórica das instituições públicas em garantir acessibilidade real e efetiva para todos os cidadãos.

Atraso de décadas revela negligência institucional

A moção foi lida tanto na versão impressa quanto em braille durante a solenidade, com a presença de representantes de entidades ligadas à causa, familiares e amigos da homenageada. A iniciativa da deputada Dayse Amarilio (PT) marca um suposto avanço, mas evidencia que o Legislativo local demorou mais de três décadas para adotar uma medida básica de inclusão. Essa demora reforça a percepção de que órgãos públicos ainda tratam a acessibilidade como uma formalidade tardia, em vez de prioridade urgente.

Palavras sem ação concreta mantêm exclusão

Lucinéia de Oliveira Santos alertou que ainda há muito a ser feito e que é preciso garantir mais acessibilidade em todos os espaços, inclusive nos órgãos públicos. A própria homenageada destacou que a moção representa um passo importante, mas é insuficiente sem a transformação de símbolos em políticas públicas efetivas. Enquanto celebrações isoladas ocupam a pauta, milhares de pessoas com deficiência visual continuam enfrentando barreiras diárias que limitam sua participação plena na sociedade.

Ainda há muito a ser feito. Precisamos de mais acessibilidade em todos os espaços, inclusive nos órgãos públicos

Lucinéia de Oliveira Santos

O episódio reforça a necessidade de cobrar resultados concretos além de gestos protocolares. Sem investimentos estruturais e fiscalização permanente, homenagens como essa correm o risco de se tornar apenas mais um ritual vazio em meio a uma realidade de exclusão persistente.

Conteúdos relacionados

A Justiça entrou com processo contra o Discord por descumprimento de normas do ECA Valter Campanato/Agência Brasil
Distrito FederalSegurança

Justiça marca audiência contra Discord por falhas de proteção a crianças e adolescentes

A Justiça do Distrito Federal marcou uma audiência de conciliação entre o...

Urna eletrônica e manifesto eleitoral simbolizando representatividade nas eleições de 2026 no Brasil
BrasilDistrito FederalPolítica

Mulheres negras lançam manifesto por maior representatividade nas eleições de 2026

A Articulação de Mulheres Negras Brasileiras lançou na quarta-feira, 26 de agosto...

Vista da arquitetura modernista de Brasília ao entardecer, legado urbanístico da cidade
BrasilCultura e LazerDistrito Federal

Morre aos 91 anos Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa e guardiã do legado de Brasília

A arquiteta Maria Elisa Costa, filha do urbanista Lucio Costa responsável pelo...

Centro de votação vazio no DF simbolizando crescimento lento do eleitorado
Distrito FederalPolítica

Eleitorado do DF cresce apenas 3,8% e segue excluindo mulheres, idosos e deficientes

O Distrito Federal chega às eleições municipais de 2026 com 2.246.751 eleitores...