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Desafios invisíveis: mulheres negras e a busca por equidade no mercado de trabalho

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No painel inicial do evento Histórias de Consciência: mulheres em movimento, promovido pelo Correio Braziliense, especialistas debateram os obstáculos estruturais que limitam a inserção e a ascensão de mulheres negras no mercado profissional. Participaram a advogada e ex-administradora do Plano Piloto Ilka Teodoro, a presidente do Instituto É Possível Dora Gomes, a administradora e mestranda em psicologia Rafaela Santana e a deputada distrital Doutora Jane (Republicanos). Elas destacaram a persistência de processos seletivos discriminatórios e a escassa representatividade em posições de liderança, enfatizando a necessidade de políticas afirmativas, capacitação contínua e ambientes corporativos que promovam equidade genuína, em vez de mera presença simbólica.

Ilka Teodoro compartilhou sua trajetória, marcada pela busca por estabilidade em meio ao racismo estrutural, e relatou como abandonou o sonho de carreira diplomática para seguir o Direito, influenciada por barreiras impostas. Dora Gomes apresentou dados alarmantes, como a taxa de desemprego de 10,1% entre mulheres negras no segundo trimestre de 2024, contra 6,9% na média nacional, e a ocupação de apenas 0,5% dos cargos de alto escalão por pretos. Ela criticou os filtros invisíveis nos recrutamentos, reforçados por vieses inconscientes em bancas majoritariamente brancas, e afirmou que “diversidade sem poder é só presença”.

Rafaela Santana analisou o legado da escravidão no Brasil atual, defendendo cotas e iniciativas para elevar indicadores baixos de ascensão negra, e relatou sua vivência de “não lugar” ao crescer como filha de empregada em Brasília. Doutora Jane, primeira deputada distrital negra na Câmara Legislativa, defendeu políticas públicas reparatórias, citando a aprovação unânime de seu projeto de lei sobre letramento racial para combater o preconceito por meio da educação. As palestrantes convergiram na ideia de que a desigualdade decorre da falta de oportunidades, não de capacidade, e que ações intencionais são essenciais para transformar o cenário.

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