O influenciador Lito Sousa morreu no dia 1º de outubro de 2026, apenas 41 dias após o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, aos 59 anos. O velório ocorreu em São Paulo no dia seguinte, seguido pelo sepultamento, encerrando uma trajetória marcada pela evolução fulminante de uma enfermidade rara e sem cura. A notícia expõe mais uma vez a fragilidade dos tratamentos disponíveis diante de patologias neurodegenerativas causadas por príons.
A evolução rápida da doença
Diagnosticada em agosto de 2026 no Hospital Israelita Albert Einstein, a DCJ progrediu de forma agressiva apesar de cuidados paliativos e de uma tentativa experimental em setembro. Neurologistas como Victor Calil, da ABN, e Fábio Porto explicam que o acúmulo de proteína príon contamina células saudáveis e destrói neurônios em ritmo acelerado. Essa característica torna a doença especialmente cruel, pois não há intervenção capaz de interromper o processo.
Tratamento paliativo e medidas de desespero
Os médicos ressaltam que o manejo se limitou ao alívio de sintomas como espasmos, dores e convulsões, sem qualquer perspectiva de cura. O uso compassivo de uma substância em fase 1 de testes reflete a ausência de opções reais para pacientes em estágio avançado. A esposa de Lito Sousa, Mila Seidl, reconhece o risco dessa abordagem, mas destaca que, sem ela, o desfecho permaneceria o mesmo: a morte inevitável.
Impacto e lições para a saúde pública
O caso de Lito Sousa evidencia a necessidade urgente de mais investimentos em pesquisa sobre doenças priônicas, ainda pouco compreendidas pela medicina convencional. Enquanto a ciência avança lentamente, famílias enfrentam diagnósticos que transformam semanas em uma corrida contra o tempo. A rapidez da degeneração cerebral reforça críticas à falta de protocolos eficazes e de acesso ampliado a ensaios clínicos no Brasil.
Uma proteína anormal gera duas [proteínas], que gera quatro, que gera oito. Quando ela está presente em um número mais alto, a evolução é muito rápida e muito agressiva.
Victor Calil
Se você usar aquele medicamento fora dos estudos [clínicos] você tem um risco, porque não estão 100% validadas as partes de eficácia e segurança. Mas, se você não toma, também, o desfecho já é aquele. Então é quando você não tem nenhuma saída mais, não existe o que você possa fazer. E se você não fizer nada o desfecho não tem como não ser a morte.
Mila Seidl