No Distrito Federal, instituições de longa permanência para idosos se mobilizam para tornar o fim de ano um período de confraternização e afeto. No Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Núcleo Bandeirante, fundado em 1980 e sem fins lucrativos, campanhas anuais de apadrinhamento permitem que cada um dos 92 moradores escolha três presentes, listados no site da entidade. Os doadores entregam os itens diretamente, e a troca ocorre durante a ceia de Natal, no dia 25 de dezembro. A coordenadora de captação de recursos, Lilian Carvalho, destaca que apenas 10% dos idosos passam as festas com familiares, e o lar depende de convênios com a Secretaria de Desenvolvimento Social e de contribuições comunitárias para cobrir despesas.
Histórias pessoais ilustram o impacto dessas iniciativas. Maria do Socorro dos Santos, 62 anos, conhecida como Marilu, pede uma sandália de velcro, perfume floral e batom marrom. Aposentada pelo Benefício de Prestação Continuada, ela recorda festas animadas em Olinda, mas uma lesão no quadril a impede de dançar como antes. No Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes, em Sobradinho, Angelina Pereira Barbosa, 73 anos, chegou à instituição após problemas de saúde como varizes e artrose, e hoje vê os funcionários como uma família adotiva. Seus pedidos incluem perfume, hidratante e acessórios de cabelo. Já Samuel Gonçalves Dias, 68 anos, e Manoel Quirino, 80 anos, valorizam o clima de carinho nas celebrações.
Especialistas reforçam a relevância social dessas ações. A assistente social Sergiane de Freitas Costa enfatiza que visitas e eventos evitam sentimentos de abandono e depressão entre os idosos. O psicólogo Leonardo Tavares da Silva alerta para os riscos do isolamento, que compromete a saúde mental. Atividades como apresentações culturais, contação de histórias e saídas ao shopping são promovidas em dezembro. No Lar São José do Candango, também em Sobradinho, com 50 moradores, campanhas semelhantes arrecadam alimentos para ceias festivas, garantindo que datas especiais não passem despercebidas.
Essas mobilizações destacam a importância da comunidade em suprir lacunas no apoio aos idosos, promovendo inclusão e bem-estar em uma fase vulnerável da vida.