A morte da pequena Laura Rebeca Ribeiro dos Santos, de 1 ano e 4 meses, em uma creche improvisada em Ceilândia, no Distrito Federal, destacou as deficiências no sistema público de educação infantil. A criança faleceu asfixiada por um cinto de bebê-conforto enquanto estava sob os cuidados de uma babá que operava uma creche irregular no Setor O, sem autorização da Secretaria de Educação ou alvará de funcionamento. A mãe, Lorrany Stephane, uma cabeleireira solteira de três filhos, deixou a filha no local pela primeira vez para poder trabalhar, confiando em uma indicação que prometia segurança, incluindo câmeras e experiência com crianças. Horas depois, a babá encontrou Laura desacordada e a levou à UPA de Ceilândia, onde o óbito foi confirmado. O caso, investigado pela 24ª Delegacia de Polícia, aponta inicialmente para asfixia acidental, com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) esperado em até 30 dias para esclarecer a dinâmica do acidente.
Em um desabafo emocionante nas redes sociais, Lorrany expressou o vazio pela perda da filha, descrita como uma menina sorridente e cheia de vida. Ela lamentou a confiança depositada na cuidadora, que atendia várias crianças simultaneamente sem equipe de apoio, e questionou como uma mãe trabalhadora pode garantir a segurança dos filhos em meio à falta de opções reguladas. A creche funcionava em uma casa adaptada, e o bebê-conforto usado não pertencia à família. A mãe relatou versões contraditórias da babá sobre o ocorrido, incluindo a possibilidade de a criança ter sido deixada com o marido da responsável. Familiares e amigos se despediram de Laura no velório realizado no Cemitério de Taguatinga, sob forte comoção.
A tragédia reforça críticas à política de assistência infantil no DF, onde famílias como a de Lorrany aguardam vagas na rede pública, o que impulsiona o surgimento de creches clandestinas. A ausência de fiscalização e a sobrecarga em instalações irregulares expõem riscos graves, demandando ações governamentais para ampliar o acesso a serviços autorizados e seguros. Enquanto a investigação prossegue, o caso serve como alerta para a necessidade de reformas que priorizem a proteção de crianças em contextos de vulnerabilidade social.