Início Distrito Federal Tecnologia de IA contra invasoras: como drones e deep learning protegem a agricultura no DF
Distrito Federal

Tecnologia de IA contra invasoras: como drones e deep learning protegem a agricultura no DF

252

Pesquisadores do Distrito Federal, coordenados pelo professor Edilson de Souza Bias, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), desenvolveram uma plataforma de código aberto integrada a ferramentas de inteligência artificial para identificar automaticamente plantas invasoras. Financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a iniciativa ganhou impulso em 2022 com o edital Agrolearning e um alerta da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento Rural do Distrito Federal (Seagri) sobre a ameaça do Amaranthus palmeri, uma praga exótica e agressiva. O projeto, que surgiu em 2018 a partir de uma proposta de doutorado, conta com parcerias de instituições como o Instituto Federal de Brasília (IFB), o Laboratório de Visão Computacional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Tiago Zuryp, coordenador do Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre (HFAUS), destaca que espécies invasoras representam um problema global, pressionando ecossistemas locais e exigindo manejos complexos e custosos, tanto para animais quanto para plantas. No Cerrado, as Amaranthus são resistentes a herbicidas, com mais de 80 espécies capazes de produzir até 1,8 mil sementes por planta. O professor Bias explica que a remoção manual é ineficiente, pois sementes se dispersam via equipamentos agrícolas, ração animal, esterco e fauna silvestre, tornando o monitoramento e a contenção imediata essenciais para evitar infestações maiores.

O combate utiliza drones equipados com sensores de alta resolução e a técnica de deep learning, que treina o sistema para reconhecer padrões visuais em imagens aéreas. Com o sistema RTK para correções em tempo real e precisão centimétrica de 2,5 centímetros, a tecnologia diferencia espécies semelhantes, gerando relatórios automáticos com coordenadas de plantas infectadas. Isso facilita a eliminação precisa pelas equipes agrícolas, reduzindo custos e esforços manuais. Testada com 96% de precisão na identificação de Amaranthus palmeri e híbridos, a ferramenta está pronta para aplicação em Mato Grosso e será entregue à Seagri, ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), com planos de expansão para outras espécies mediante novo financiamento.

Conteúdos relacionados

A Justiça entrou com processo contra o Discord por descumprimento de normas do ECA Valter Campanato/Agência Brasil
Distrito FederalSegurança

Justiça marca audiência contra Discord por falhas de proteção a crianças e adolescentes

A Justiça do Distrito Federal marcou uma audiência de conciliação entre o...

Urna eletrônica e manifesto eleitoral simbolizando representatividade nas eleições de 2026 no Brasil
BrasilDistrito FederalPolítica

Mulheres negras lançam manifesto por maior representatividade nas eleições de 2026

A Articulação de Mulheres Negras Brasileiras lançou na quarta-feira, 26 de agosto...

Vista da arquitetura modernista de Brasília ao entardecer, legado urbanístico da cidade
BrasilCultura e LazerDistrito Federal

Morre aos 91 anos Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa e guardiã do legado de Brasília

A arquiteta Maria Elisa Costa, filha do urbanista Lucio Costa responsável pelo...

Centro de votação vazio no DF simbolizando crescimento lento do eleitorado
Distrito FederalPolítica

Eleitorado do DF cresce apenas 3,8% e segue excluindo mulheres, idosos e deficientes

O Distrito Federal chega às eleições municipais de 2026 com 2.246.751 eleitores...