Início Distrito Federal Casa icônica de Brasília definha abandonada por embaixada estrangeira
Distrito Federal

Casa icônica de Brasília definha abandonada por embaixada estrangeira

188

Projetada em 1961 pelo arquiteto João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé, a Residência César Prates foi a primeira construção residencial do profissional na capital federal, encomendada por César Prates, amigo e assessor do ex-presidente Juscelino Kubitschek. A casa incorpora elementos característicos da arquitetura moderna brasileira, como sheds para iluminação e ventilação natural, integração entre espaços internos e externos, e uso de materiais aparentes como pedra bruta, madeira e concreto. No entanto, o imóvel, atualmente de propriedade de uma embaixada estrangeira, encontra-se em estado de abandono, com jardins tomados por mato, ferrugem, rachaduras e pichações, o que tem gerado preocupações sobre a preservação do patrimônio cultural de Brasília.

O arquiteto e urbanista Adalberto Vilela, professor da Universidade de Brasília e autor de um estudo sobre a residência, destaca que o projeto reflete o início da trajetória de Lelé, com ênfase em materiais naturais e espacialidade fluida, incluindo painéis treliçados de madeira e um inovador sistema de umidificação por gotejamento em paredes de pedra para combater o clima seco local. Adriana Filgueiras Lima, filha de Lelé e também arquiteta, expressa tristeza com a deterioração e teme que a embaixada pretenda demolir a casa para erguer outra estrutura. Ela se dispõe a participar de uma restauração para manter as características originais, considerando o imóvel um marco valioso.

Vizinhos relatam transtornos diários decorrentes do abandono, como insegurança, acúmulo de água parada que atrai mosquitos da dengue, presença de ratos e baratas, além de invasões por moradores de rua. A servidora pública Andrea Pires Figueiredo menciona episódios de roubo de itens da casa, enquanto a advogada Ana Cristina Santana aponta riscos à saúde, com familiares afetados por doenças. A médica Simone Corrêa e o advogado Hélio Figueiredo Júnior criticam a falta de providências da embaixada, vendo o caso como desrespeito ao patrimônio cultural brasileiro e pedindo intervenção para restauração ou venda.

A embaixada, ao ser contatada, informou ter recebido esclarecimentos do Itamaraty, mas não forneceu detalhes sobre o futuro do imóvel. Órgãos como a Secretaria de Saúde e a Defesa Civil do Distrito Federal afirmam não ter autorização para ingressar no local sem permissão do país proprietário, destacando limitações diplomáticas na resolução do problema.

Conteúdos relacionados

Viatura da Polícia Civil em bar do Itapoã após prisão por homicídio
Distrito FederalItapoãSegurança

Polícia Civil prende suspeito de matar homem a facadas em bar do Itapoã

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um suspeito de assassinar a...

Foto: Felipe Ando / Agência CLDF
Distrito FederalPolíticaSegurança

PMDF completa 217 anos: homenagens expõem crise na segurança do DF

A sessão solene realizada na manhã de 29 de maio de 2026...

Vista aérea de região urbana em expansão no Brasil, representando aprovação de novas áreas administrativas Ponte Alta e 26 de Setembro
Distrito FederalPolítica

Conplan aprova criação das regiões administrativas de 26 de Setembro e Ponte Alta

Propostas para a criação das regiões administrativas da 26 de Setembro e...

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF)
Cultura e LazerDistrito FederalPolítica

Exposição Linhas da Resistência na CLDF expõe fracasso em direitos humanos

A abertura da exposição “Linhas da Resistência” na Câmara Legislativa do Distrito...