A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar fraudes no Banco de Brasília (BRB), incluindo a emissão e negociação de créditos falsos visando a aquisição do Banco Master, negócio barrado pelo Banco Central. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do banco e no apartamento do presidente Paulo Henrique Costa, que foi afastado por 60 dias pela Justiça, mas o governador Ibaneis Rocha optou por sua saída definitiva. A operação apura crimes como gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa, com estimativa de movimentação de até R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025. Além de Costa, o diretor de Finanças Dairo Oswaldo Garcia Júnior foi afastado, e a Justiça determinou o bloqueio de bens do BRB e dos envolvidos.
O governador indicou Celso Eloi de Souza Cavalhero, superintendente executivo de governo da Caixa Econômica Federal, como novo presidente do BRB. Cavalhero, com 38 anos de experiência no setor bancário, precisa ser sabatinado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na próxima semana. A vice-governadora Celina Leão justificou a decisão como medida para preservar o patrimônio do Distrito Federal, enfatizando que não há compromisso com erros e que as apurações prosseguirão. O Governo do Distrito Federal (GDF) e o BRB garantiram que os serviços não serão afetados, mantendo operações normais e reforçando mecanismos de governança e compliance.
Especialistas como Luciano Bravo e Marcos Hanna analisam que o impacto para clientes deve ser indireto, com o Banco Central supervisionando para evitar consequências graves, embora haja riscos de perda de confiança e necessidade de provisões para ativos tóxicos do Banco Master. Parlamentares da CLDF, como Fábio Felix e Chico Vigilante, propuseram uma CPI para investigar o caso, que envolveu aprovação parcial de projeto de lei pela Casa em agosto. Fundado em 1964, o BRB atende 8,1 milhões de clientes e tem o GDF como acionista majoritário.